sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Nada de mais.
Ela entrou no carro com o objetivo de esquecer tudo o que aconteceu até ali então. Respirou, olhou para os lados e deu a partida. Não sabia muito bem aonde queria chegar, só sabia que queria estar distante daquela cidade. Na sua cabeça apenas um pensamento lhe cabia: "ainda sou apaixonada por ele.". Não, isso tem que ser jogado pela janela, disse ela. Mas os coração que ali escutava calado não obedeceu, é muito mais forte que ele. Então a cada minuto que passava, mais o soluçar do seu choro crescia e a velocidade com que as coisas iam passado por ela diminuía. Parou, abriu a porta e saiu correndo como quem tenta se livrar de uma teia de aranha que não tinha fim. Ela tinha medo que tudo aquilo que viveu, respirou, fez, falou com ele tivesse se perdido no tempo. Não queria ser esquecida, queria ser importante. Mas nada daquilo fazia sentindo na vida dela. Vida, palavra essa que o descrevia por inteiro, ele era a vida dela e assim ele dizia que ela era a dele. Mas tá, tudo bem, consigo superar esse, pensou sem muito sucesso. Deitou-se no afasto e deixou que o som do vento tocando nas folhas entrasse por seus ouvidos, guiando para uma realidade melhor, sem contratempos, bem mais madura. O choro tentou entrar em cena novamente, mas ela não deixou. Queria esquecer de tudo, de que ele estava com outra e que talvez tinha esquecido aquela que sempre estava lá pra ele. Talvez. Mas não importava, só queria deixar que aquele momento em que estava deitada no asfalto a fizesse refletir por um momento tudo o que até então acontecia, e percebeu que o que estava fazendo era uma grande besteira. Levantou-se e seguiu até o carro. Olhou para o céu antes de entrar e viu como a lua estava linda, iluminada e vendo todo bafafa a qual ela estava fazendo. Fez um pedido. Ser feliz poderia ter sido um pedido bom, mas a unica coisa que passou na sua cabeça foi: "eu o amo, o amo muito. Mas não quero fazer disso um maremoto. Quero águas tranqüilas, reconhecíveis em que eu possa nadar sem me afogar. Que eu possa andar na beira sem me preocupar com o respingar dela em minha roupa. Quero apenas viver e amar. Quero ele em minha vida, mas com pequenas doses. Assim as coisas podem tomar o seu lugar devagarinho, sem pressa.". E assim foi, entrou no carro de volta pra casa, colocou um CD do Chico e foi cantarolado por toda a estrada. Chegou em casa com uma sensação de missão cumprida, mas não entendia porque se sentia assim. Será que tinha esquecido ele? Será que não se importava mais? Não, ela tinha apenas compreendido o amor. Sim, porque o amor não é sofrer, nem se desesperar se a pessoa não estiver contigo, é apenas amar cada coisa, cada ponto da pessoa e ver que tudo tem seu tempo. Afinal, é como diz o Chico: "O amor não tem pressa, ele pode esperar em silêncio, no fundo do armário.". É, talvez seja isso. Talvez...
sábado, 4 de setembro de 2010
Só um desabafo.
Sinto que vou me perder de novo, e isso me causa um susto muito grande, ter que saber que nem todo mundo me fala a verdade e saber que não acredito mais nessa verdade que sai dessas bocas. Creio que agora vou ver as coisas como são e isso me deixa triste, me deixa ainda mais cabisbaixa saber que a culpa não foi minha. Mas agora é seguir em frente com a cabeça aberta, o olhar mudado e pensamento tranqüilo. O coração vai sofrer, o corpo vai pedir aquilo que sempre teve, a cabeça vai estar ligada com aquele que um dia pensou como eu. Paciência. Vou sentir falta das conversas, da companhia, das horas e horas perdidas no telefone, do conforto no abraço e na "coisa" tão verdadeira que tínhamos. Paciência. Não vou dizer que é pra nunca mais, porque ainda acredito em uma coisa que restou disso: o amor. Ainda amo e vai ser difícil deixar isso pra trás, mas tudo passa não é mesmo?. É. O que fazer? nada, apenas ter a bendita paciência, e isso já tive demais...
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