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quinta-feira, 10 de março de 2011

O mundo lá fora.

Hoje, dia 11 de março de 2011, me vejo aqui sentada escutando Mariana Aydar e tentando escrever alguma coisa. Tenho muito pra contar, mas ao mesmo tempo me perco num espaço sem novidades. Como pode isso? Não sei. Arranjei um emprego, completei vinte anos, tenho uma conta no banco e continuo com a idéia fixa que jornalismo é o melhor caminho. Eu realmente não consigo enxergar que a maturidade tá batendo na minha porta.
Acordar cedo nunca foi a minha praia, ter alguém mandando em mim - além da minha mãe - também não. O trabalho fez com que essa seja a minha praia agora. Não que eu esteja reclamando, quê isso, mas essa nova adaptação me fez ver que: não, eu não sou mais uma menina. E que: sim, agora sou uma mulher (mesmo sem saber como me tornei isso).
Minhas amigas dizem que tô distante, sem tempo pra elas. Minha mãe reclama que passo o dia fora de casa, que ando comendo demais e que as minhas olheiras nunca foram tão aparentes como agora. Tudo bem, nada nessa vida pode ser perfeito.
Bom, é isso. Fico aqui tentando fazer que a minha vida seja cheia de absurdos e na espera que novidades caiam do céu. Espero não ter que esperar sentada por isso.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

A fronteira da arte

Foi a batalha mais longa de todas as lutadas em Tuscatlán ou em qualquer outra região de El Salvador. Começou à meia-noite, quando as primeiras granadas caíram da montanha, e durou a noite toda e foi até a tarde do dia seguinte. Os militares diziam que Cinquera era inexpugnável. Os guerrilheiros tinham atacado quatro vezes, e quatro vezes tinham fracassado. Na quinta vez, quando foi erguida a bandeira branca no mastro do quartel-general, os tiros para o alto começaram os festejos.
Julio Ama, que lutava e fotografava a guerra, andava caminhando pelas ruas. Levava seu fuzil na mão e a câmara, também carregada e pronta para ser disparada, pendurada no pescoço. Andava Julio pelas ruas poeirentas, procurando os irmãos gêmeos. Esses gêmeos eram os únicos sobreviventes de uma aldeia exterminada pelo exército. Tinham dezesseis anos. Gostavam de combater ao lado de Julio; e nas entre-guerras, ele os ensinava a ler e a fotografar. No turbilhão daquela batalha, Julio tinha perdido os gêmeos, e agora não os via entre os vivos ou entre os mortos.
Caminhou através do parque. Na esquina da igreja, meteu-se numa viela. E então, finalmente, encontrou-os. Um dos gêmeos estava sentado no chão, de costas contra um muro. Sobre seus joelhos jazia o outro, banhado em sangue; e aos pés, em cruz, estavam os dois fuzis.
Júlio se aproximou, e talvez tenha dito alguma coisa. O gêmeo que vivia não disse nada, nem se moveu: estava lá, mas não estava. Seus olhos, que não pestanejavam, olhavam sem ver, perdidos em algum lugar, em nenhum lugar; e naquela cara sem lágrimas estavam a guerra inteira e a dor inteira.
Júlio deixou o fuzil no chão e empunhou a câmara. Rodou o filme, calculou num instante a luz e a distância e colocou a imagem em foco. Os irmãos estavam no centro do visor, imóveis, perfeitamente recortados contra o muro recém mordido pelas balas.
Júlio ia fazer a foto da sua vida, mas o dedo não quis. Júlio tentou, tornou a tentar, e o dedo não quis. Então baixou a câmara, sem apertar o botão, e se retirou em silêncio.
A câmara, uma Minolta, morreu em outra batalha, afogada pela chuva,
um ano mais tarde.

Eduardo Galeano

*Texto retirado do livro "O Livro dos Abraços"

terça-feira, 12 de outubro de 2010

As pantufas cor de rosa com detalhes de borboletas colorem aquele quarto que vive no escuro. Ela sempre está ali deitada em uma rede, se embalado de um lado para o outro. As vezes fico me perguntando de como será viver até os 80 anos, deve ser dificil. Minha avó é prova de que isso é dificil, viver todo esse tempo e conseguir ter uma mente sã. Ela as vezes fica olhando pro nada, talvez pensando em coisas do passado, no grande amor da sua vida que já se foi ou apenas tentando se lembrar de alguém que esqueceu o nome. Algumas vezes, com muito esforço, ela se levanta daquela rede e vem levemente andando com suas pantufas cor de rosa pra me dar um beijo. Por horas ela fica do meu lado sem falar nada, as vezes ela apenas diz que me ama muito. Eu me arrepio, porque ainda sou uma das poucas pessoas que ela se lembra com carinho. Sempre gosto de mostrar pra ela que não é bom ficar naquela escuridão do seu quarto, mas ela diz que é mais aconchegante assim. Eu aceito. Sei que um dia tudo isso vai ficar na lembraça, mas por enquanto aproveito cada segundo, cada beijo, cada abraço, cada carinho que recebo dela, porque ela é tudo, é linda, é vó, é única.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Nada de mais.

Ela entrou no carro com o objetivo de esquecer tudo o que aconteceu até ali então. Respirou, olhou para os lados e deu a partida. Não sabia muito bem aonde queria chegar, só sabia que queria estar distante daquela cidade. Na sua cabeça apenas um pensamento lhe cabia: "ainda sou apaixonada por ele.". Não, isso tem que ser jogado pela janela, disse ela. Mas os coração que ali escutava calado não obedeceu, é muito mais forte que ele. Então a cada minuto que passava, mais o soluçar do seu choro crescia e a velocidade com que as coisas iam passado por ela diminuía. Parou, abriu a porta e saiu correndo como quem tenta se livrar de uma teia de aranha que não tinha fim. Ela tinha medo que tudo aquilo que viveu, respirou, fez, falou com ele tivesse se perdido no tempo. Não queria ser esquecida, queria ser importante. Mas nada daquilo fazia sentindo na vida dela. Vida, palavra essa que o descrevia por inteiro, ele era a vida dela e assim ele dizia que ela era a dele. Mas tá, tudo bem, consigo superar esse, pensou sem muito sucesso. Deitou-se no afasto e deixou que o som do vento tocando nas folhas entrasse por seus ouvidos, guiando para uma realidade melhor, sem contratempos, bem mais madura. O choro tentou entrar em cena novamente, mas ela não deixou. Queria esquecer de tudo, de que ele estava com outra e que talvez tinha esquecido aquela que sempre estava lá pra ele. Talvez. Mas não importava, só queria deixar que aquele momento em que estava deitada no asfalto a fizesse refletir por um momento tudo o que até então acontecia, e percebeu que o que estava fazendo era uma grande besteira. Levantou-se e seguiu até o carro. Olhou para o céu antes de entrar e viu como a lua estava linda, iluminada e vendo todo bafafa a qual ela estava fazendo. Fez um pedido. Ser feliz poderia ter sido um pedido bom, mas a unica coisa que passou na sua cabeça foi: "eu o amo, o amo muito. Mas não quero fazer disso um maremoto. Quero águas tranqüilas, reconhecíveis em que eu possa nadar sem me afogar. Que eu possa andar na beira sem me preocupar com o respingar dela em minha roupa. Quero apenas viver e amar. Quero ele em minha vida, mas com pequenas doses. Assim as coisas podem tomar o seu lugar devagarinho, sem pressa.". E assim foi, entrou no carro de volta pra casa, colocou um CD do Chico e foi cantarolado por toda a estrada. Chegou em casa com uma sensação de missão cumprida, mas não entendia porque se sentia assim. Será que tinha esquecido ele? Será que não se importava mais? Não, ela tinha apenas compreendido o amor. Sim, porque o amor não é sofrer, nem se desesperar se a pessoa não estiver contigo, é apenas amar cada coisa, cada ponto da pessoa e ver que tudo tem seu tempo. Afinal, é como diz o Chico: "O amor não tem pressa, ele pode esperar em silêncio, no fundo do armário.". É, talvez seja isso. Talvez...

sábado, 4 de setembro de 2010

Só um desabafo.

Sinto que vou me perder de novo, e isso me causa um susto muito grande, ter que saber que nem todo mundo me fala a verdade e saber que não acredito mais nessa verdade que sai dessas bocas. Creio que agora vou ver as coisas como são e isso me deixa triste, me deixa ainda mais cabisbaixa saber que a culpa não foi minha. Mas agora é seguir em frente com a cabeça aberta, o olhar mudado e pensamento tranqüilo. O coração vai sofrer, o corpo vai pedir aquilo que sempre teve, a cabeça vai estar ligada com aquele que um dia pensou como eu. Paciência. Vou sentir falta das conversas, da companhia, das horas e horas perdidas no telefone, do conforto no abraço e na "coisa" tão verdadeira que tínhamos. Paciência. Não vou dizer que é pra nunca mais, porque ainda acredito em uma coisa que restou disso: o amor. Ainda amo e vai ser difícil deixar isso pra trás, mas tudo passa não é mesmo?. É. O que fazer? nada, apenas ter a bendita paciência, e isso já tive demais...
isto irá falar de mim e de vários outros indivíduos. coisas que marcam ou que marcaram. sobre pensamentos ou sobre nada.